PM e Corpo de Bombeiros de Minas avaliam tratamento precoce contra a Covid-19

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PM e Corpo de Bombeiros de Minas avaliam tratamento precoce contra a Covid-19

A Polícia Militar (PMMG) e o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), através de seu comitê de enfrentamento à Covid-19, estão avaliando a possibilidade de submeter seus servidores a tratamento precoce à doença. Medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina, que não têm eficácia garantida, estão entre os citados.

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Conforme a minuta de documento, ou seja, um rascunho, obtido pelo Jornal  O TEMPO de Belo Horizonte , após reunião ocorrida no dia 16 de março, oficiais médicos foram designados a estudar o tema. “Objetivo dessa Comissão é construir um documento de robustez técnico-científica e ética para subsidiar decisões médicas e acolher o público que deseja efetivamente receber tais tratamentos, garantindo a autonomia médica e do paciente”, diz.

Segundo o texto, em momento algum serão recomendados “kits” de medicamentos, mas cada paciente deverá ter sua avalição e prescrição individualizada. Além de orientação básicas de higiene, foram sugeridos os seguintes remédios como forma de prevenção ao coronavírus:

– Hidroxicloroquina 400mg ou 200mg / semanal
– Ivermectina 6mg / 30Kg de peso / a cada duas semanas
– Vitamina D 2.000UI a 5.000UI / dia
– Zinco quelato 30mg / dia
– Quercetina 500mg / dia

Uma das justificativas para isso é uma “alta incidência, mas felizmente baixa letalidade por Covid-19 na tropa ativa”. Além disso, o que pesa é a falta de perspectiva de vacinação em massa da segurança pública a curto prazo”. Nessa segunda-feira (5), o governo de Minas começou a distribuir um novo lote dos imunizantes, que também é destinado às forças de segurança.

Na recomendação, cita-se que a prescrição de todo e qualquer medicamento é prerrogativa do médico, e que o tratamento do paciente suspeito ou portador de Covid-19 deve ser baseado na autonomia do paciente.

Entretanto, foi exposto que todas as drogas que estão sendo prescritas para o tratamento imediato do coronavírus já existem e também são conhecidos os seus principais mecanismos de ação e efeitos colaterais, porém, ainda não há liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a sua indicação em bula para o tratamento de pacientes com Covid-19.

“O presente documento poderá ser atualizado conforme a necessidade, com vistas a subsidiar as orientações aos oficiais médicos da PMMG no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (SARS CoV-2), no que diz respeito ao tratamento na fase inicial da Covid-19, bem como apresentar uma ferramenta para diagnóstico clínico da doença”, consta.

Riscos

O uso indiscriminado da ivermectina, por exemplo, já causa efeitos negativos na saúde de brasileiros. Há relatos de médicos, em São Paulo, de pacientes na fila de espera para um transplante de fígado devido à intoxicação pelo excesso de remédio.

Em Minas Gerais, não há pacientes nessa situação, de acordo com o diretor do MG Transplantes, o médico Omar Cançado Júnior, que ressalta, de qualquer forma, que o uso irrestrito do medicamento pode levar à intoxicação do fígado.

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, João Marcello Netto, destaca que o remédio, quando receitado para as infecções parasitárias que constam em sua bula, é seguro nas doses habituais. O risco começa quando as pessoas ingerem os comprimidos acima das doses consideradas normais e durante muitos dias.

“O fígado é o órgão que recebe o sangue e faz a primeira metabolização dos medicamentos. Em geral, o que se vê nesses casos é aumento transitório de regiões do órgão, mas existem relatos de hepatite grave”, explica. A Anvisa já não obriga que a receita da ivermectina seja retida, porém a venda ainda deve ser realizada apenas com apresentação de receita médica.

Resposta

Em nota, a PMMG e o CBMMG informaram que o arquivo trata-se de minuta de um documento, ainda em avaliação, que contém orientações para médicos e pacientes que optarem por aderir às recomendações.

“As Instituições ressaltam, ainda, que a referida minuta não vincula e não obriga os médicos militares a adotarem quaisquer protocolos sugeridos, sendo apenas mais um referencial bibliográfico”, completou.

Fonte : Jornal O Tempo.

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